Diretora do FMI diz que economia global está sendo 'testada mais uma vez' pela guerra no Oriente Médio
05/03/2026
(Foto: Reprodução) Kristalina Georgieva, diretora do FMI
Sergei Karpukhin/Reuters
A economia global está “sendo testada mais uma vez” pela guerra no Oriente Médio, afirmou nesta quinta-feira, em Bangkok, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.
“Vivemos em um mundo em que os choques são mais frequentes e mais inesperados, e temos alertado nossos membros há algum tempo de que a incerteza agora é a nova normalidade”, disse ela em uma conferência sobre a Ásia em 2050.
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O conflito começou após bombardeios dos EUA e de Israel em Teerã, que mataram o líder supremo Ali Khamenei e autoridades iranianas de alto escalão, no sábado (28). Desde então, o Irã tem retaliado contra Israel e contra países do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas.
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A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã entrou no sexto dia nesta quinta-feira (5). Nesta quarta (4), o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, assumiu a autoria de um ataque de submarino contra um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka.
A ação deixou 87 mortos e 32 feridos e é considerada histórica: foi uma das poucas ocasiões em que um submarino afundou um navio desde a Segunda Guerra Mundial.
Hegseth também disse, em coletiva de imprensa, que os EUA estão “vencendo a guerra” e que as forças americanas detêm o controle absoluto neste quinto dia de conflito. O Pentágono prometeu novas ondas de bombardeios.
“A Força Aérea do Irã não existe mais. A Marinha deles descansa no fundo do Golfo Pérsico. Eles estão acabados e sabem disso”, afirmou o secretário.
Impactos na economia
A escalada das tensões e o início da guerra no Oriente Médio, com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e a expansão do conflito para países vizinhos, como o Líbano, pressionam o preço do petróleo e a cotação do dólar no Brasil.
Neste início de semana, o petróleo ultrapassou US$ 82 por barril, o valor mais alto desde janeiro de 2025. Com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, analistas projetam aumento significativo nos preços nos próximos meses — o que deve pressionar os combustíveis no Brasil.
Outro fator que pode estimular a inflação é a cotação do dólar, por seu impacto nos preços de produtos e insumos importados. A moeda norte-americana avançou 0,6% nesta segunda-feira (2), para R$ 5,16, e continuava em alta nesta terça-feira.
Com dólar e petróleo mais caros, cresce a expectativa de aumento nos preços de combustíveis e de energia, que têm efeitos indiretos sobre o transporte, a indústria e até o agronegócio — o que também pode limitar o ritmo de crescimento da economia brasileira.
Segundo economistas, essa variação nos preços do petróleo e do dólar pode afetar não apenas os preços atuais, mas também as projeções do mercado e do Banco Central para a inflação neste ano e nos próximos.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), colegiado responsável por buscar o cumprimento das metas de inflação, toma decisões com base nas projeções futuras, já que os efeitos demoram de seis a 18 meses para aparecer plenamente na economia.
Neste momento, por exemplo, o Banco Central busca atingir, por meio da taxa de juros, a meta central de inflação de 3% no acumulado de 12 meses até setembro de 2027.